do Cassino ao Cabo Polônio

Saímos de Pelotas com vontade de passear pelas praias do sul do Estado e do Uruguai. Primeira parada: a Praia do Cassino, em Rio Grande (fica a 18Km do centro da cidade), a maior praia do mundo em extensão (conta a lenda – e o Guiness Book – que seriam 240Km, entre Rio Grande e Chuí, mas na verdade existe a reserva ecológica do Taim e a cidade de Santa Vitória do Palmar no caminho). Outra lenda sobre o Cassino é que seria a praia de mar mais antiga do Brasil, datando de 1890.


Eu sou cassineira das antigas, passei lá meus primeiros verões, isso há uns 25, 30 anos atrás. Depois disso já voltei muitas vezes, é uma praia ótima para adolescentes, cheia de bares e vida noturna. Também é bom para andar de bicicleta na praia. E só, hehehe...sério, a praia não é lá grande coisa, água marrom (como quase todas as praias do RS) e muito, muito vento. Uma peculiaridade é que todo mundo (todo mundo mesmo!) vai para a praia lá de carro, estacionam seus veículos na beira do mar e passam o dia escondidos atrás dos carros evitando virar croquete.
  

 
Apesar dos pesares, o lugar fica lotadaço, todo mundo adora. E 2 passeios são obrigatórios: o centro da praia é onde fica a estátua/monumento à Iemanjá. De lá, se você pegar à direita, em direção ao Chuí (pela beira do mar, óbvio), ande 15Km até o navio encalhado. É um navio que naufragou há muito tempo, já tá todo enferrujado, caindo aos pedaços, mas é um clássico do Cassino. Voltando, são mais 22Km até os molhes da barra, onde você pode pegar uma vagoneta e ir mar adentro pelos trilhos, um passeio muito legal. Dos molhes de volta até a Iemanjá são só 6Km, e você pode dar uma paradinha para comer um milho verde ou um pastel de camarão.
 


Também vale a pena dar uma volta pela avenida principal, existem umas casas antigas, centenárias, perfeitamente conservadas, que são lindas! O Felipe conheceu uma gatinha argentina na praia e curtiu horrores o passeio!


Saindo do Cassino, pela BR-471, em direção ao Chuí, cidade mais meridional do Brasil, passamos pela estação ecológica do Taim, um dos principais ecossistemas do Brasil, que fica numa área de banhados de quase 34.000 hectares, entre o mar e a Lagoa Mirim. Vimos um monte de capivaras!!! Uma família inteira, cheia de filhotinhos, coisa mais fofa!



Chegando no Chuí, ficamos no Bertelli Chuí Hotel, que é muito bom, com diária de casal de R$ 172,00 (ar condicionado, frigobar, internet wi-fi). A área de lazer do hotel também é bem boa, com piscinas térmicas e ao ar livre, e o café da manhã é ótimo. Fica na BR 471 – Km 648.


Fomos jantar na Barra do Chuí, numa pizzaria muito boa, com uma ótima trilha sonora e daiquiris de abacaxi melhores ainda! O nome é Mar e Cia, e fica na rua principal, bem fácil de achar. A paella é ótima.


Depois do café da manhã fomos para a Praia do Hermenegildo, que é um balneário de Santa Vitória do Palmar, e fica a 27Km do Chuí. Primeiro vai pela BR 471 em direção a Santa Vitória (15Km) e depois pega a RS 833 por mais 12Km. A gente sempre ouvia falar do famoso “Hermena” e nenhum de nós conhecia a praia, que duela com o Cassino pelo título de maior praia do mundo em extensão. Em resumo, é barrenta e ventosa, mas não tem carros na beira da praia.




Do Hermena, seguimos para a Barra do Chuí, que fica a 8Km da cidade do Chuí, do lado brasileiro. A “Barra” nós já conhecíamos, pois a minha família paterna é de Santa Vitória, e não tem nada a ver com o Hermena: é super rústica e ao mesmo tempo mais aconchegante, mais “bonitinha”. A praia também é um pouquinho melhor, menos vento e menos chocolatão no mar (de um modo geral, quanto mais a gente vai indo em direção ao Uruguai, mais vai limpando e menos vai ventando...).


Na Barra também tem um farol construído em 1910, com 30m de altura. É lá que o Arroio Chuí encontra o Oceano Atlântico, marcando a divisa entre o Brasil e o Uruguai, e têm tantos uruguaios na Barra brasileira que parece mesmo que a gente está no Uruguai.



Seguimos de volta para o Chuí, porque é impossível passar por lá sem fazer umas comprinhas. Almoçamos num restaurante chamado “Il Forte”, para variar, porque há 30 anos a gente vai ao Chuí e almoça sempre na Parrillada Jesus, um clássico.




O Chuí continua aquela terra de ninguém de sempre, com duas diferenças: a Neutral Megastore e o Duty Free America (DFA). São 2 mega free shops, gigantes mesmo, com enormes estacionamentos, que fazem a gente até esquecer que estamos no velho Chuí de sempre. Imperdíveis...


Seguimos então para o Forte São Miguel, uma fortificação de campanha, de 1734, que hoje abriga um museu de história militar. O Forte é administrado pelo Exército uruguaio, e a entrada custa R$ 2,00 por adulto. Fica a 10Km do Chuí pela Ruta 19.






Nós já conhecíamos o museu, mas foi a primeira vez do Felipe, que passeou por tudo na mochila nova e adorou. Ainda fomos no Fortín de San Miguel, que é o hotel do Forte, bem ali pertinho, e tem um restaurante lindo (parece que estamos jantando em um castelo medieval!). É um lugar muito legal, não sei se os quartos são muito bons, mas com toda certeza vale a pena se hospedar lá, nem que seja só por uma noite, com aquelas paredes de pedra de um metro de largura, cheias de histórias...


Do Forte seguimos para La Coronilla. É uma prainha muito tranqüila, um lugar de gente de mais idade, sem muitos jovens, com alguns hotéis decadentes e não muito mais que isso.


Perto da Coronilla fica a Fortaleza de Santa Teresa, dentro de um Parque Nacional que é quase que todo ele área de camping, com ótimas praias (na minha opinião, as melhores do Uruguai). Já acampamos na Fortaleza muitas vezes, mas em janeiro eu não recomendo, porque fica completamente lotado, filas enormes nos banheiros, barulho, muvuca, enfim...não é o mesmo lugar maravilhoso como no resto do ano.

Algumas das melhores praias são Los Pesqueros, La Moza e del Barco. Existem áreas de camping com luz elétrica e outras sem luz (mais baratas). O banho, de tardezinha, é bom, com água quentinha. Lá dentro do Parque Nacional tem mercados, onde dá para se comprar tudo que é necessário. Fica a 25Km do Chuí pela Ruta 9.


Em Punta del Diablo nos demos mal: rodamos a cidade inteira (devo ter falado com umas 50 pessoas!) e nada de encontrar um mísero quarto para passar a noite! Na maioria das cabanas, hotéis, hostels e pousadas onde paramos eles nos diziam “não, está tudo lotado até o fim de fevereiro”! Bahhhhh, que desconsolo. Há poucos meses atrás tínhamos ido passar um fim de semana lá e o lugar estava completamente vazio, e agora...meu Deus!!! Tudo superlotado, as ruas, as praias, os mercados, os restaurantes, TUDO.


O antigo povoado de pescadores, pelo jeito, está na moda. Punta del Diablo fica no Km 298 da Ruta 9, a uns 3Km de distância da Fortaleza, direção sul.


Voltamos então para dormir em La Coronilla, no Hotel Riva Mare, que é meramente passável, por 1.200 pesos, mas foi o único onde encontramos um quarto ainda desabitado. Não tem TV nem frigobar e nem um único ventilador, ou seja, é a cama e um banheiro daqueles em que a água do banho inunda tudo, mas...quem não tem cão caça com gato. E o café da manhã tem mamão, melão, café, sucos, bolo, pães e manteiga.

O fim de tarde foi lindo, fomos até a praia, exatamente na frente do hotel, e o mar parecia um espelho. A gente olhava para os 2 lados na beira da praia, kilômetros e kilômetros de extensão sem ninguém, tudo só para nós...adoro isso!!!


Jantamos no único restaurante de La Coronilla, o “de La Ruta”, porque fica exatamente na beira da estrada, onde se entra no pueblo. O arroz com mejillones (mexilhões) é uma delícia.


No dia seguinte, depois do café, seguimos direto para Barra de Valizas. Primeiro a gente anda 70Km pela Ruta 9 (essa quilometragem é saindo do Chuí, de La Coronilla é 52Km), depois pega a Ruta 10 e anda mais 35Km até chegar lá.

A Praia de Valizas é completamente hippie, o que Punta del Diablo já foi um dia. Agora que Punta del Diablo ficou fashion (e cara), o pessoal riponga se mudou para Valizas. A praia e o mar já são ótimos, mar azul, areia branca e tal, mas a água aquele gelo de sempre.


De lá fomos (pela Ruta 10) até o local onde é possível pegar os caminhões que nos levam até Cabo Polônio. A passagem de ida e volta custa 150 pesos por pessoa (criança de colo não paga). Como no verão tem muito movimento, tem caminhão saindo a toda hora, é só lotar um que já vem o próximo. Na verdade, quando eu digo caminhão, estou falando de uns veículos adaptados para transporte de passageiros, de vários tipos diferentes, mas todos com mais ou menos o mesmo grau de (des)conforto.



A gente vai encarapitado lá em cima (ou no andar de baixo, querendo), sacolejando por uns 25 minutos, pelo meio das dunas e do mato, por dentro do Parque Nacional Cabo Polônio, até chegar na praia. O próprio caminhão que nos leva faz um mini city tour, passando por uma praia e cruzando a vila até chegar na outra praia, onde é o desembarque. No mesmo lugar onde a gente chega, voltamos depois, na hora que quiser, para pegar outro desses caminhões e voltar pelo mesmo caminho.


Se é seguro para levar um bebê? Olha, não é lá muito confortável...como o caminhão sacoleja muito, a gente vai se batendo nos ferros na volta, e segurando uma criança endiabrada como é o pequeno viajante não fica fácil, mas é seguro sim, não existe nenhum risco, não é nada radical. Mas é uma aventura.



Em Cabo Polônio fomos na praia e depois almoçamos no Restaurante Mar Il Mar, na beira da água, uma cazuela (caldeirada) de mariscos e peixinhos fritos que estavam divinos! Depois fomos passear com o Lipe na mochila, com uma cobertura improvisada, porque eram quase 4hs da tarde e o sol tava torrando.


Perto da costa existem 3 ilhotas (La Rosa, La Encantada e El Islote) onde vivem lobos marinhos, e da costa mesmo a gente escuta a algazarra deles. Existem enormes dunas ao redor do povoado e as paisagens são lindas, com aquele marzão azul. A população fixa do local é pequena, quase que só pescadores, artesãos e funcionários do farol, mas na alta temporada, durante o dia, a vila, as pousadas e os restaurantes ficam lotados de turistas.


Fomos ainda até o farol, onde se pode subir e ter uma vista linda de tudo ao redor. Eu AMEI o passeio, mas recomendo só para quem é roots, porque para os menos despachados pode ser uma indiada.

Saímos de volta para Pelotas quase 5hs da tarde e, chegando lá, ainda dá para dar uma voltinha na Praia do Laranjal, balneário da Lagoa dos Patos que fica a 10 minutos do centro da cidade, cujas águas são péssimas (imundas) para banho, mas os restaurantes, nas noites de verão, ficam lotados.

6 comentários:

  1. Olá
    bem legal o post, já fui há quase todos os lugares que mencionastes.
    Mas sou de Pelotas e gostaria de dizer que o Laranjal não é imundo. Tomamos banho durante o verão e agua estava cristalina. De repente vieste num dia que as algas estavam tomando conta, o que deixa a praia suja. Mas o verão desse ano foi ótimo para o Laranjal.

    Abraços

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  2. legal, Margie! de repente eu é que tive azar, mesmo, pq morei mais de 5 anos em Pelotas e nunca consegui ver esta água "cristalina" no Laranjal! ao contrário, estava sempre imprópria para banho, com um nível de coliformes fecais altíssimo!

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  3. porra tri legal tche tu ai mostrando e dividindo com outras pessoas as tuas viagens. Eu sou natural da cidade de Rio Grande, Hoje vivo nos Estados Unidos conheco quase todo o mundao ja escrevi 5 livros sobre viagens e nunca cheguei a publicar.
    Acabei de vir dai passei Natal e Ano novo com minha familia.
    ja fui muchileira, caroneira, meio Hipie., hoje sou velhinha, mas nao parei estou indo para o Alaska.
    fiz a praia dos Hermenegildo do Chui ao cassino.
    parabens e continue dividindo seus maravilhosos momentos conosco.
    Dulce Fitt

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    1. Mas que pena nunca ter publicado todas essas histórias Dulce!
      Como foi a viagem ao Alaska? Morro de vontade conhecer!
      Bjos ;-)

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  4. Marlon,
    saberia me dizer se eu continuar pela rota 10 consigo chegar a Punta del Est? Vou tentar fazer seu roteiro, tirando o Cabo Polonio, acho que meu marido não aguentaria! rsrs Mas queriamos chegar a Punta e voltar, claro! Acho que nesta época deve estar tudo absurdamente caro por lá e não é exatamente o que procuramos, mas a Casa Pueblo nos encanta!!! Queriamos muito chegar ate lá e pela rota 10 me parece mais interessante!

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    1. Oi Taci, desculpe não ter respondido antes! Estávamos viajando e fiquei um bom tempo sem entrar aqui nos comentários, sorry!
      Dá pra vir pela Ruta 10 até um trecho, mas em La Paloma vocês têm que subir para Rocha e depois de Rocha dá pra descer pro litoral de novo - o problema é que na Laguna de Rocha tem uma interrupção na estrada e não dá pra vir pelo litoral o tempo todo! Dá uma olhadinha no Google Maps que tu vais ver!
      Bjos, e desculpe de novo!

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